Depois, Oliveira ficou preocupado que ela se considerasse transbordada, que aqueles jogos procurassem sempre ser uma espécie de sacrifício. Receava, particularmente, a forma mais sutil da gratidão, que se torna carinho canino; não queria que a liberdade, a única roupa que caía bem na Maga, se perdesse numa feminilidade diligente. Tranquilizou-se, pois o regresso da Maga ao plano do cafezinho e da visita ao bidê foi assinalado por uma recaida na pior das confusões. Absolutamente maltratada durante aquela noite, aberta a uma porosidade de espaço que late e se expande, suas primeiras palavras, já do lado terreno, tinham de açoitá-la como chicotes, e sua volta à beira da cama, imagem de uma consternação progressiva que procura neutralizar-se com sorrisos e uma vaga esperança, deixou Oliveira bastante satisfeito.(...)"
Trecho do livro "O Jogo da Amarelinha" de Julio Cortázar